DNA Persona – Perfil comportamental individual e de equipes

Multitarefas para ensinar

CONTEÚDO IDEAL PARA CLIENTES DO TIPO


Lobo alto: cuja linearidade de raciocínio dificulte reconhecer o valor ou, até mesmo, a possibilidade da condução de diferentes frentes de atividade.

Tubarão alto: cujo pragmatismo defina uma inflexível priorização com uma visão muito imediatista.

Águia baixo: quando processos mentais menos estruturados sejam desconfortáveis ou de difícil assimilação.

Águia alto: com tendência a uma excessiva dispersão, confundindo múltiplas atividades desordenadas com múltiplas tarefas.

CONSEQUÊNCIA


Desenvolver esta competência significa lidar com serenidade e eficiência com uma demanda cada vez mais frequente – lidar com muitas tarefas ao mesmo tempo.

Querer limitar o seu universo a uma só atividade não é uma opção realista. Mesmo que você planeje e construa uma rotina propositalmente limitante, imprevistos e necessidades de mudanças e adaptação vão acontecer e você tem de estar apto para conduzi-las de maneira minimamente competente.
O crescimento profissional e pessoal inevitavelmente traz mais complexidade às nossas vidas, a maturidade é que nos faz lidar melhor com ela.

Você vai entender que não é contraditório que, em muitos casos, precisamos aprender a nos dedicar a menos ou, até mesmo, uma coisa de cada vez. Para isso, precisamos ter um sistema que ordene e equilibre nosso tempo e energia para todas as coisas que temos de administrar de forma eficiente e produtiva.

Há diferentes maneiras de se processar tarefas simultâneas. Aprender ou desenvolver um método adequado à sua maneira de pensar é um processo que vale muito a pena investir.

É mais fácil calçar chinelos do que acarpetar o mundo.

CONTEXTO


Ao notar o pavor com que seus alunos expressavam diante da necessidade de se desdobrar em muitos, a pesquisadora Keri Stephens, professora de comunicação da Universidade de Austin, no Texas (EUA), decidiu aprofundar-se num estudo sobre o assunto, publicado em janeiro de 2013. Após analisar 63 estudantes da instituição em dois grupos focais, Keri identificou que as pessoas se comportam de três maneiras distintas na hora de lidar com atividades no trabalho.

Há aquelas capazes de realizar várias coisas ao mesmo tempo; as que assumem muitas tarefas e as organizam em sequência, fazendo uma de cada vez; e aquelas que preferem concentrar-se em uma coisa só. “O importante é descobrir qual é o seu estilo”, diz Keri, explicando que conhecer o próprio perfil permite ao profissional escolher melhor seu emprego e levar uma vida mais produtiva e menos estressante.

Pouca gente se encaixa, segundo a pesquisadora, na imagem popular do multitarefa, aquele que de fato faz tudo ao mesmo tempo. A maior parte (45% dos entrevistados) declara a preferência por ter tarefas múltiplas, mas acaba optando por organizá-las em uma fila. São os multitarefa sequenciais. “Esse é o tipo dominante”, diz Keri. Os participantes da pesquisa eram jovens estudantes universitários, justamente os que são mais estimulados a fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Mesmo entre eles, ficou evidente o desconforto com a exigência de se desdobrar em papéis diversos. Resta o monotarefa, profissional que busca a perfeição numa única atividade.

Esse gosta de dedicar dias (ou até meses) a um trabalho. Para esse grupo, o uso da fantasia de polivalente significa um consumo altíssimo de energia — é quem mais sofre com o predomínio do padrão multitarefa. Para esse perfil, o destino parece ser o trabalho solitário, típico de especialistas. “São funções que exigem concentração”, diz Keri.

Para quem almeja cargos de gestão, no entanto, a capacidade de executar múltiplas atividades é de extrema importância, pois é necessário administrar entregas de outros profissionais. “A tendência é que essa competência seja cada vez mais requerida e exigida de executivos”, diz Bárbara Will, diretora de recrutamento da Business Partners Consulting. Um exemplo extremo e bem atual são os executivos de startups e de companhias que estão iniciando operações no país, lugares em que o negócio ainda não foi estruturado em torno de processos e áreas. “O mesmo profissional toma decisões estratégicas enquanto sai para escolher um carpete”, diz Bárbara.

A evolução tecnológica é apontada como um dos fatores para o aumento do número de atividades no trabalho. Redes e equipamentos de comunicação facilitam a troca de informações, mas as atividades ainda levam tempo para ser executadas. Só que as empresas atropelam os prazos constantemente. “Trata-se de um paradoxo organizacional”, diz Dulce Penna Soares, professora do departamento de psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina. “Se o chefe pede para resolver um problema e você se recusa porque tem de terminar um relatório, ele acha ruim”, afirma ela. “Mas, se não terminar o que já está fazendo, você também será considerado incompetente”, diz.

Respeito ao ritmo

Adotar um ritmo diferente do pessoal vai levar à insatisfação profissional. Por isso, é preciso tomar cuidado. “Para conquistar uma vaga, as pessoas tentam reproduzir o discurso-padrão do mercado e declaram ser uma coisa que não são”, diz Erika Falcão, consultora da Tríade, empresa de recrutamento do Rio de Janeiro, que pesquisa o trabalho e novas tecnologias na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O gerente de marketing da Softplan, Marcelo Silveira, de 40 anos, mudou o rumo da carreira para encontrar seu ritmo. Deixou uma rotina de professor universitário e consultor de empresas para assumir um emprego fixo de executivo.

“Cansei de corrigir provas enquanto atendia clientes e de fazer projetos enquanto aplicava provas”, diz. Por três meses, foi capaz de manter uma rotina dedicada ao marketing. Com o tempo, a vida monotarefa começou a parecer preguiça. O remédio foi voltar a se envolver em projetos de outras áreas para calibrar a dose exata de multiplicação. “Agora estou satisfeito”, diz Marcelo.

Vale lembrar ainda que, ao longo da carreira, um profissional provavelmente vai se deparar com demandas variadas, desde as que exigem máxima concentração até os ambientes mais dispersivos. Ainda que você identifique seu perfil, é importante entender como reagir em território inimigo.

“O multitarefa tem de ser ágil, mas não pode deixar de lado a profundidade quando o trabalho requer isso”, diz Augusto Puliti, diretor de consultoria da Michael Page. Em muitos casos, será preciso saber a hora de vestir o uniforme de multitarefa simultâneo, sequencial ou até monotarefa. E isso só vale até o próximo e-mail chegar.

O professor de Gestão de Pessoas e Liderança da IBE-FGV, Leandro Garcia, explica que o fenômeno tem sido cada vez mais comum nas empresas. Ele ressalta que, em gerações passadas, os profissionais eram estimulados a serem especialistas e buscar o máximo de informações ou conhecimentos sobre as suas áreas de atuação, especificamente. “Porém, com a estagnação do mercado em várias áreas, ficou impossível absorver toda mão de obra ofertada. E, para não serem atropelados pelo tempo, muitos profissionais tiveram que desenvolver outras atividades, acrescidas às suas competências técnicas específicas, aprendidas na graduação”, diz.

“Trata-se de uma nova tendência no mercado profissional, ligada aos avanços tecnológicos e à própria globalização que levam esta busca, atrelado ao fato das empresas otimizarem seus recursos através da tecnologia, processos e mão de obra onde a premissa, hoje, é fazer mais com menos”, explica.

Contudo, o especialista alerta que a habilidade de ser multitarefas não funciona em algumas posições. Segundo ele, o sucesso vai depender da atividade ou da área que o colaborador atua. Para pessoas que executam tarefas específicas, em que o grau de conhecimento deve ser aprofundado, quanto maior a especialização, melhor. O multiconhecimento, então, só terá efeito para quem trabalha em áreas dinâmicas, em que o cenário em constante mudança necessita de decisões rápidas e até mesmo imediatas, características muito presentes em cargos de liderança. “Na visão da empresa, independentemente da área, quanto mais o profissional estiver preparado e com o máximo de conhecimentos, maior o número de oportunidades e desafios que ele poderá assumir. Esses são os profissionais que vão liderar e não ser liderados”, diz.

 

CURIOSIDADES


Os pesquisadores estudaram as redes neurais no córtex frontal do cérebro, uma região que é associada ao controle dos pensamentos e das ações. Ao mapear a atividade nesta área, descobriu-se que essas redes se reconfiguram sozinhas durante a mudança de ação. Ou seja, seus neurônios se reconfiguram para trocar da leitura para o celular, por exemplo, e isso determina a chamada “flexibilidade cognitiva”. Algumas pessoas têm essa flexibilidade mais aguçada do que outras. Isso significa que uns só conseguem focar em uma coisa e outros conseguem focar e desfocar rapidamente em várias coisas sem tanta perda de atenção. O estudo foi publicado no início de setembro de 2015 na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

(Fonte: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/09/05/pesquisadores-ajudam-a-identificar-as-bases-neurais-da-multitarefa.htm)

FONTES CONSULTADAS


Sites e blogs:

https://exame.abril.com.br/carreira/e-possivel-ser-um-profissional-multitarefa/

https://www20.opovo.com.br/app/opovo/vidaetrabalho/2014/02/01/noticiasjornalvidaetrabalho,3200105/profissionais-multitarefas-estao-mais-valorizados.shtml

http://www.ibe.edu.br/mercado-de-trabalho-demanda-profissional-multitarefa/

http://ondevendem.com/comofazer/Quais-so-os-beneficios-de-multitarefa/

 

VÍDEOS SUGERIDOS


TED-Ed Como gerenciar o seu tempo de forma mais eficaz (de acordo com as máquinas) – Brian Christian

Os seres humanos e os computadores compartilham o desafio de como fazer o máximo possível em um tempo limitado. Nos últimos cinquenta anos, os cientistas da computação aprenderam muitas estratégias boas para administrar o tempo efetivamente – e eles têm muita experiência com o que pode dar errado. Brian Christian compartilha como podemos usar alguns desses insights para ajudar a aproveitar ao máximo nossas próprias vidas.

[https://youtu.be/iDbdXTMnOmE]

Multitarefa certa: você tem que entender isso para ser produtivo

Para ter foco, concentração, alcançar resultados de qualidade em pouco tempo, precisamos concentrar toda nossa atenção fazendo apenas uma coisa de cada vez, fazendo bem feito, e, principalmente, fazendo a coisa certa. Mas será que isso significa que temos que abandonar completamente a multitarefa, o multitasking de realizar várias atividades ao mesmo tempo?

[https://youtu.be/-TsZH6q9AAI]

 

BIBLIOGRAFIA – LIVROS SUGERIDOS PARA LER


Você pode ler e recomendar os seguintes livros para a pessoa que vai treinar. Se possível, busque por resenhas que podem contribuir para uma compreensão mais abrangente.

 

Quando ouvimos falar em algoritmos, em geral pensamos em programas de computador que estão fazendo algum trabalho em nosso lugar. No entanto, os algoritmos – séries de passos usadas para resolver problemas – têm sido parte de nossas vidas desde a Idade da Pedra. Explicando com clareza problemas matemáticos célebres e descrevendo a origem e o funcionamento de vários algoritmos, o jornalista Brian Christian e o professor de psicologia e ciência cognitiva Tom Griffiths nos mostram que tanto seres humanos como computadores enfrentam limites e dificuldades para resolver problemas. Mais do que apontar os melhores caminhos para otimizar tarefas, este livro traz aspectos surpreendentes do funcionamento da mente humana, de nossas emoções e de nosso comportamento. Com o apoio de pesquisas multidisciplinares e de entrevistas com especialistas de diversas áreas, “Algoritmos para viver” é um mergulho revelador nos processos matemáticos que regem parte cada vez maior de nossa vida cotidiana.

CHRISTIAN, Brian; GRIFFITHS, Tom. Algoritmos para viver: ciência exata das decisões humanas. São Paulo:Companhia das Letras, 2016.

 

 

FILMES


Você pode assistir, recomendar e debater com a pessoa a ser treinada os seguintes filmes. Liste os pontos/cenas que chamaram sua atenção e apresente o seu ponto de vista. Geralmente os insights podem surgir da discussão de pontos de vista diferentes em relação a uma mesma cena.

A Grande Escolha – Ivan Reitman (2013)

Mesmo quem não conhece nada sobre futebol americano vai entender a pesada tensão que paira nesse momentos definitivos da seleção dos novos jogadores da NFL para a temporada. Dentro do nosso tema de interesse, o filme mostra como o Gerente Sonny Weaver (Kevin Costner) lida com a imensa pressão e cobrança, mantendo a cabeça funcionando para analisar, definir e seguir uma estratégia. Ele tem de navegar por uma infinidade de situações que exigem que ele se comporte de maneira hábil e decisiva. Não chega a ser um thriller mas, definitivamente, apesar das aparências, não é um filme sobre esportes.

Veja o trailer: https://youtu.be/sppFzZxgOkc

 

Joy: O nome do sucesso – David O. Russel (2015)

O filme conta história real de Joy Mangano, uma empresária de grande sucesso nos EUA com o lançamento do chamado “miracle mop” – um esfregão de limpeza vendido pela TV. Nós podemos acompanhar a transformação de uma pessoa decepcionada e desesperançosa em uma vibrante líder. Mais que uma boa ideia e iniciativa, o que Joy teve foi a capacidade de mudar de atitude e assumir uma posição de liderança firme para que seu projeto acontecesse. Para isso, teve de controlar muitas coisas à sua volta – uma complicada família, parceiros, fornecedores…

Veja o trailer: http://www.foxfilm.com.br/joy

 

 

À Procura da Felicidade – Gabriele Muccino (2007)

Chris Gardner (Will Smith) é um pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em manter a família unida, Linda (Thandie Newton), sua esposa, decide partir. Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden Smith), seu filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, que lhe dê um salário mais digno. Chris consegue uma vaga de estagiário numa importante corretora de ações, mas não recebe salário pelos serviços prestados. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele seja contratado e, assim, tenha um futuro promissor na empresa. Porém, seus problemas financeiros não podem esperar que isto aconteça, o que faz com que sejam despejados. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos, estações de trem, banheiros e onde quer que consigam um refúgio à noite, mantendo a esperança de que dias melhores virão.

Veja o trailer: https://youtu.be/6yc069E1gfc