Capacidade Analítica para ensinar
maio 3rd, 2019 by EIToolsFoi Jerome S. Bruner quem mais destacou a importância da distinção entre pensamento analítico e intuitivo. Este pensamento se processa relativamente com plena consciência da informação e das operações que implica. Pode envolver raciocínio cauteloso e dedutivo, muitas vezes utilizando matemática ou lógica e um explícito planejamento de ações. Ou pode envolver um processo gradativo de indução e experimento, empregando princípios de técnica de pesquisa e de análise estatística.
O pensamento analítico também é central na solução de problemas. Para solucionar problemas, é preciso subdividi-los em problemas menores, que recebem soluções particulares. Supõe-se que uma vez solucionados os problemas menores estarão solucionados os maiores.
CONTEÚDO IDEAL PARA CLIENTES DO TIPO
Tubarão Baixo/Baixíssimo: que não tenham afinidade com o pensamento e a linguagem analítica ou tenham dificuldade com números e dados.
Lobo alto/altíssimo: que, apesar de ter facilidade com dados e números, não exercitem o entendimento através de análise e dedução. Preferindo buscar interpretações já estabelecidas.
Águia ou Gato Alto/Altíssimo: que tendem a seguir uma abordagem mais holística e subjetiva.
CONSEQUÊNCIAS
Nunca tivemos tanta quantidade de dados à nossa disposição, tanto que surgiu o termo mineração de dados (data mining)que é a extração das informações relevantes ao negócio em meio a tanta poluição digital. É mais um exemplo da capacidade analítica como uma competência cada vez mais valorizada no mundo corporativo. Afinal, o acesso à informação está cada vez mais disponível, mas faltam pessoas dentro das empresas que desenvolvam modelos para analisar os dados e agir a partir disso. E a falta de profissionais com essa competência traz sérias dificuldades às organizações para garantir funções essenciais, como preservar a perenidade dos negócios antevendo cenários e buscar soluções para diversas situações-problema.
CONTEXTO
“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende e não há sucesso no que não se gerencia”
William Edward Deming, estatístico
Um profissional analítico desempenha melhor nas áreas que exigem análises de dados mais complexas e completas, construção de relatórios e planilhas ou uma atenção maior aos detalhes. Departamentos financeiros, de tecnologia da informação e também de marketing, por exemplo, podem se beneficiar bastante deste tipo de colaborador.
Por outro lado, não coloque um analista em funções que exijam contato direto com o público geral se perceber que seu estilo de comunicação não for flexível. Pois, normalmente, além de ser muito focado, geralmente esse colaborador segue uma linha mais assertiva e menos afetuosa e, portanto, é menos propenso a fazer atividades relacionadas a esta habilidade ou a cultivar relacionamentos interpessoais no trabalho. À exceção de perfis que somem um significativo componente de GATO, o que traz um equilíbrio importante entre o pragmatismo da visão analítica e uma competência em comunicação e relacionamento. Este é um perfil que, normalmente, possui um desempenho muito bom na área de vendas.
Diferente do perfil comunicador, o analítico tende a ser mais calado, centrado, focado em suas tarefas. Isso não quer dizer que ele não seja um bom colega de trabalho ou liderado, apenas que tem uma forma diferente de interagir, ou seja, tem seu próprio tempo e forma de se comunicar.
Porém, este é o profissional ideal em diversos setores de uma empresa, que carecem de uma uma minuciosa avaliação de informações. Imagine, por exemplo, como é importante ter um analista do setor financeiro que verifique se os números da empresa estão corretos ou se algo está fora do lugar. E também como o marketing se beneficia de suas análises de investimentos em campanhas promocionais, para saber se está investido corretamente e nas mídias certas.
É esta visão diferenciada que torna o trabalho do profissional que é analista tão importante e traz ao negócio um diferencial competitivo importante.
ENTENDENDO O PENSAMENTO ANALÍTICO
O pensamento analítico caracteriza-se pelos seguintes elementos:
É reflexivo: implica refletir sobre o próprio pensamento.
Está normalizado: o raciocínio se desenvolve sobre uma série de fases, normas ou critérios.
É autêntico: centra se na resolução de problemas e questões reais.
No momento de desenvolver o pensamento analítico, as pessoas devem se balizar pelos seguintes pontos:
Clareza: o resultado deve ser compreensível por qualquer outra pessoa.
Exatidão: o processo deve estar livre de erros ou distorções e toda as informações e conclusões devem ser certas.
Precisão: o raciocínio tem que conter o nível de detalhes necessário.
Relevância: deve focar a resolução do assunto em questão.
Profundidade: no processo devem constar as complexidades e múltiplas inter-relações entre os fatos estudados.
Amplitude: deve englobar múltiplas perspetivas.
Lógica: as partes têm sentido como um todo, sem que existam contradições entre elas.
Significado: deve focar-se no mais importante, no propósito final, não em aspectos triviais da questão.
Imparcialidade: baseia se em argumentos objetivos que se podem justificar.
FASES DO PROCESSO ANALÍTICO
Como técnica normalizada, o processo analítico está sujeito a uma série de fases:
Definir o objetivo: O que queremos alcançar? O primeiro passo do processo consiste em determinar qual é o nosso objetivo e os motivos e intenções que nos impulsionam.
Expor a pergunta: Devemos colocar uma série de perguntas claras e precisas sobre o problema e todos os aspectos inerentes ao assunto.
Compilar informações: Para dar resposta a estas questões, é necessário que recolhamos todos os fatos, dados, evidências e experiências possíveis. As pessoas são naturalmente relutantes em reconhecer os problemas reais. Assim, a pergunta ou problema real geralmente costuma estar escondido ou oculto. Por isso, precisamos dedicar esforço intelectual para trazer os problemas e assuntos à superfície.
Prestar atenção às inferências: As inferências são interpretações ou conclusões às quais chegamos a partir de uma evidência lógica sobre fatos implícitos. Contudo, devemos prestar atenção às informações que faltam sobre um assunto, especialmente às que possam originar auto-engano ou contradições, pois tendemos a procurar informações que sustentem as nossas crenças e evitar aquelas que as coloquem em dúvida.
Verificar as suposições: Para chegar a conclusões livres de interferências pessoais, é essencial analisar as crenças que assumimos como certas e que operam no subconsciente e certificarmos de que estão justificadas também por uma evidência sólida.
Clarificar os conceitos: Do mesmo modo, também devemos refletir e raciocinar sobre as ideias, princípios ou hipóteses que utilizemos para dar sentido a qualquer fato. Pois a origem das falhas no processo estão, em geral, por nos basearmos em suposições falsas.
Compreender o ponto de vista: Qual é a nossa forma de ver o problema? Cada pessoa percebe a realidade segundo a sua perspectiva, e o pensamento analítico requer um esforço em ser consciente de qual é a nossa e que outros pontos de vista existem sobre o mesmo assunto, para evitar distorções. Uma das características do pensador analítico é a sua capacidade para entrar de boa vontade em cada e qualquer ponto de vista, e logo mudar o seu ponto de vista, quando as evidências justificarem.
Pensar nas implicações: Trata-se de prever que consequências -possíveis e prováveis- a nossa decisão irá provocar uma vez que se execute, tanto de forma direta como colateral.
BIBLIOGRAFIA – LIVROS SUGERIDOS PARA LER
Você pode ler os livros a seguir. Se possível, busque por resenhas que possam contribuir para uma compreensão mais abrangente.

Os autores oferecem ferramentas práticas para melhorar sua compreensão da análise de dados e aprimorar seu raciocínio e suas decisões. Ao ler este livro, você desenvolverá habilidades cruciais, tais como:
Formular hipóteses, reunir e analisar dados relevantes, interpretar e comunicar resultados analíticos, desenvolver hábitos quantitativos, relacionar-se de maneira eficaz com os quants de sua organização. O Big Data e a analítica mudarão praticamente todos os setores e funções de negócios ao longo dos próximos dez anos. Mesmo que você não tenha pós-graduação em Negócios nem se sinta à vontade com estatística e métodos quantitativos, este livro oferecerá as habilidades necessárias para enfrentar esse novo desafio, conquistando importante trunfo competitivo.
DAVENPORT, Thomas; HO-KIM, Jin. Dados Demais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

Desde a sua primeira edição, já foram publicados mais de 40 mil exemplares do livro, comprovando que a obra é notoriamente um grande sucesso; O livro discute em detalhes os métodos gerenciais PDCA (Plan, Do, Check, Action) e DMAIC (Define, Measure, Analyze, Improve, Control), usados para o alcance de metas de melhoria dos resultados empresariais, e apresenta a estatística como a ciência que trata da coleta, do processamento e da disposição de dados necessários à prática de ambos os métodos; Vale destacar que o método DMAIC é a abordagem padrão para a condução dos projetos Lean Seis Sigma de melhoria de desempenho de produtos e processos; Após o estudo desse livro, o leitor interessado em obter um maior detalhamento das ferramentas analíticas (o que inclui as técnicas do Lean Manufacturing) poderá aprofundar seus conhecimentos lendo os demais volumes da Série Werkema de Excelência Empresarial.
WERKEMA, Cristina. Métodos PDCA e DMAIC e Suas Ferramentas Analíticas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

O livro é a primeira história de Sherlock Holmes e o primeiro livro publicado por Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930). Muito menos do que um livro de estreia, esta história nasceu clássica, com seu ritmo vertiginoso de suspense e mistério que consagraria seu protagonista, Sherlock Holmes, como o mais apaixonante e popular detetive da história da literatura.
Um estudo em vermelho propõe um enigma terrível e invencível para a polícia, que pede auxílio a Holmes: um homem é encontrado morto, sem ferimentos e cercado de manchas de sangue. Em seu rosto uma expressão de pavor. Um caso para Sherlock Holmes e suas fascinantes deduções narrado por seu amigo Dr. Watson, interlocutor sempre atento e não raro maravilhado com a inteligência e talento do detetive.
DOYLE, Arthur Conan. Um estudo em vermelho. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

A maioria das empresas possui enormes quantidades de dados à sua disposição, mas não consegue utilizá-las de maneira significativa. Mas uma nova e poderosa ferramenta de negócios – análise – está permitindo que muitas empresas aproveitem seus dados de forma agressiva nas principais decisões e processos de negócios, com resultados impressionantes. Com base em pesquisas totalmente novas e ilustradas com exemplos de empresas de sucesso, você poderá usar os dados de maneira mais eficaz e obter informações analíticas valiosas, além de · ser capaz de recrutar, contratar e gerenciar analistas.
Combinando a ciência da análise quantitativa com a arte do raciocínio sólido, o livro Analytics at Work (existente só na versão em inglês) fornece um roteiro e ferramentas para liberar o potencial enterrado nos dados de sua empresa.
DAVENPORT, Thomas; HARRIS, Jeanne; MORISON, Robert. Analytics at Work: Smarter Decisions, Better Results. Harvard Business School, 2010.
FILMES E SÉRIES
Você pode assistir, recomendar e debater os filmes a seguir. Liste os pontos/cenas que chamaram sua atenção e apresente o seu ponto de vista. Geralmente os insights podem surgir da discussão de pontos de vistas diferentes em relação a uma mesma cena.

Sherlock – Vários (2010-2017)
Apesar de ser uma adaptação moderna das geniais histórias do famoso detetive, a impecável produção da BBC faz justiça aos personagens, às histórias e, principalmente, ao imaginário. A ótima interpretação dá uma nova expressão à dupla. Curiosamente relacionada ao nosso tema, a comparação com o personagem dos livros nos traz algo a pensar. Nos livros, a capacidade analítica é tratada mais como uma habilidade desenvolvida com a maturidade e estudo. Na série, apesar de constantemente aperfeiçoada, aparece mais como uma caricatural manifestação de genialidade. Com um Sherlock, além de bem mais jovem, excêntrico e muito arrogante.
Veja o trailer: https://youtu.be/9mpaYCH3xFE

Mindhunter – Joe Penhall/David Fincher (2017-hoje)
A série é baseada no livro homônimo que é a história real do agente John Douglas, responsável por criar o perfil dos serial killers em uma época em que a expressão sequer existia, e quando ninguém estava disposto a fazer o que ele fez: ficar cara a cara com dezenas de assassinos famosos, conduzindo entrevistas que o ajudariam a traçar um padrão (ou vários padrões) para entender quem são essas pessoas e de onde surgiu o instinto ou o desejo que os fez se tornarem criminosos. É curioso perceber com a evolução da história como o mecanismo de solução de crimes se modifica e se aperfeiçoa na medida em que eles aprendem mais sobre os perfis dos assassinos. É uma lição clara de que a capacidade analítica exige aprendizado, ferramentas e treino constante.
Veja o trailer: https://youtu.be/_ukFdxliIW4

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO – Bennett Miller (2011)
O gerente do time de baseball, Billy Beane (Brad Pitt), tenta conter os problemas com as derrotas da equipe, mas sem sucesso até conhecer Peter Brand (Jonah Hill). Beane adota as ideias de Brand e decide abrir mão de velhos conceitos de administração e passa a contratar jogadores baseado em indicadores estatísticos de desempenho. A metodologia dá certo e o time vence vários jogos. O filme pode nos mostrar a importância da capacidade analítica para o entendimento sobre nossas atividades, não só com mais profundidade mas com novas abordagens, mais exatas e com menos “ruídos” acumulados por anos de hábitos e interferências pessoais. Assim, surgem as grandes soluções e a excelência no que fazemos. Um bom sistema, a confiança da equipe nesse sistema e em seu líder e os bons resultados formam um ciclo que se auto-alimenta, trazendo cada vez mais eficiência e melhores resultados. O que precisamos saber é como e quando temos de quebrar a inércia de processos que já não funcionam mais.
Veja o trailer: https://youtu.be/BumI-Yh0P1M

